Um sorriso lindo e largo no rosto. Essa era a marca
registrada de Arthur, o Tuzinho. Sempre que o via, era a mesma coisa. Uma
alegria só. Eu chegava na casa dos meus tios e ele nos recebia com um abraço
cheio de carinho e atenção. Um cara tranquilo, caseiro, que gostava de música,
videogame e de viver. Tínhamos pouco contato, é verdade. Mas em todas as
oportunidades de reunir a família ele estava lá, feliz.
Lembro-me dele pequenininho, com uns dois anos de idade, na
casa minha avó. Era noite e estávamos todos na varanda, jogando conversa fora.
Meu pai saiu para manobrar o carro. Quando acendeu os faróis, lá estava o
Tuzinho no meio da rua, de calças baixas fazendo cocô. Ele deu travou, tadinho,
e começou a gritar: “Medo, medo, medo!”. Tia Lelete foi logo o socorrer e todos
rimos da simplicidade do gesto de menino.
No casamento do meu irmão, ele entrou com a Bíblia. Todo
bonitinho e responsável. Antes da cerimônia, porém, ele pintou e bordou.
Jogando bola, caiu na casinha do cachorro. E mais uma vez nos divertimos.
Não gostava de estudar, queria mesmo era formar uma banda e
trabalhar. E assim fez. Colecionou amigos por onde passou. Um bom filho, um bom
namorado, um bom primo, uma excelente pessoa. Um cara do bem.
E de repente, num susto, ele nos deixou. Com apenas 26 anos,
dormindo. Com toda a saúde e disposição. Chegou do trabalho, deitou-se e não
levantou mais. Abriu um buraco em nossos peitos. Deixou um vazio em sua casa.
Vê-lo ali, gelado, com tanto ainda por viver, me fez pensar
no quanto somos breves. Em quantos dias perdemos com preocupações inúteis. Em
tantos sorrisos que deixamos de oferecer. Em tantos abraços que deixamos de
dar. Em tantos obrigados que deixamos de dizer.
Arthur se foi jovem, mas foi um verdadeiro rei. Ele, sim,
sabia viver. Sem nada ostentar, sem coisas grandes a se preocupar. Levava os
dias, um de cada vez. Valorizava as coisas simples e aquilo que realmente
importa: os pequenos gestos de amor.
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| Com meus primos queridos, Vitor e Arthur |


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