Eu nunca me interessei por carros e nem sonhava em tirar carteira de motorista algum dia na minha vida. Até que a necessidade bateu à minha porta. Comecei a fazer plantões no jornal e muitas vezes ficava até tarde esperando o ônibus em frente a um ponto de travestis na cidade industrial de Contagem. Na época, ainda não havia shopping ali perto e após às 10h da noite o bicho pegava.
Meu ônibus só passava de hora em hora e, se eu perdesse o bonde, estava em apuros. Um belo dia, por exemplo, parou uma kombi no meio do nada e um bando de homens estranhos começou a me cantar. Eu não tinha para onde correr e nem adiantava gritar. Foi quando apelei. Soltei meia dúzia de palavrões e decidi tirar carteira para comprar nem que fosse um fusquinha. Em dois meses eu estava habilitada e de carrinho novo (ops – novo para mim, pois era um uninho daqueles bem velhos, que vivia entupindo o carburador).
Acontece que meu senso de direção é nulo e eu sempre me perco mesmo nos lugares que conheço de traz pra frente. Antes mesmo de comprar meu carrinho, tive a primeira experiência de muitas que estavam por vir. Meu irmão, que mora no interior, foi passar férias em Porto Seguro com minha mãe e cunhada. O carro dele ficou na garagem lá de casa. Ele lá e eu cá. Nem passava pela minha cabeça tirá-lo do lugar. Foi quando meu querido irmão ligou dizendo que eles estavam voltando e eu precisava buscá-los no aeroporto da Pampulha.
Vixe... e agora?? Quem conhece Belo Horizonte pode achar que essa era a coisa mais simples do mundo. Não para mim. Eu morava na região Oeste, enquanto a Pampulha é no Norte da capital. Eu conhecia bem o caminho, pela via Expressa, mas nunca havia atravessado a cidade sozinha (digo, de carro).
Chamei, então, minha prima Polly para dar um apoio moral. Fomos duas baratas tontas fazer uma aventura pela cidade. Fui bem até o tal viaduto da Lagoinha, no centro da capital. Quando estávamos lá em cima, porém, Polly me dá um grito:
- É ali! É ali! Vira a direita! A direita!!!!
- Não, Polly! É aqui mesmo... (já entrando em desespero)
- Você vai entrar no lugar errado! Eu vi a placa! Vira, viraaaaaaaa!
Pronto. Danou-se. Eu estava em cima do cruzamento e tinha um segundo pra decidir. Entrei pela culatra.
- Polly, não é aqui! Estamos indo para a Cristiano Machado. Tínhamos que pegar a Antônio Carlos.
- Eu vi a placa, Eulene: Aeroporto Internacional de CONFINS!....
Ai, Jesus. Eu tive vontade de jogar a Polly pela janela. Ela viu a placa do aeroporto errado. Não estávamos indo para Confins, e sim para a Pampulha.
- E agora? – perguntamos juntas.
Bom, eu sabia que alguns quilômetros a frente havia uma avenida (Bernardo Vasconcelos) que ligava a Cristiano Machado à Antônio Carlos. Meu ponto de referência era o Minas Shopping. O que eu não sabia é que para fazer o retorno eu teria que entrar bem antes. Passei direto.
Fui parar em outro viaduto ainda mais cabuloso, que me deixou em pleno anel rodoviário. Era a primeira vez que eu pegava o carro depois de tirar carteira e a pista estava uma peneira por causa das chuvas de janeiro. Carros em alta velocidade por todos os lados e eu não tinha a menor idéia se estava dirigindo no sentido correto.
Desviando de um buraco aqui, outro ali, avistei a placa “Viaduto São Francisco” e “Av. Antônio Carlos”. Não pensei duas vezes e virei na primeira entrada. Como estava bom demais para ser verdade, peguei a avenida no sentido oposto. Lá estava eu voltando para o centro da cidade.
A sorte é que eu saí com quase uma hora de antecedência. Eu não conhecia nada por ali e não queria correr o risco de pegar outro caminho errado. Meu pânico era fazer algum retorno na favela. Resolvi então voltar na Lagoinha e fazer o retorno em frente ao UNI-BH, onde estudei por quatro anos e sabia como era o retorno por lá.
Enfim, eu podia ter andado menos de 10 km para chegar à Pampulha, mas acabei dando um passeio de 28,5 km. Um trajeto que poderia ser feito em menos de 20 minutos foi concluído em uma hora, com o trânsito ótimo. Mas cheguei. E juntinho do avião!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
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James, ainda bem que você aprendeu os caminhos do Jardim Canadá. A partir do dia 29 a cervejaria vai ser uma rota constante, não vai? =)
ResponderExcluirAh, o que são umas voltinhas para conhecer melhor a região, né? rsrs...
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