segunda-feira, 14 de junho de 2010

SERÁ O FIM DO TROPEIRO DO MINEIRÃO?

O feijão tropeiro do Mineirão é, sem dúvida, atração turística das mais saborosas de Belo Horizonte. Ir ao estádio e não comer o tradicional prato mineiro é como ir ao Rio sem provar os deliciosos biscoitos Globo. Servido há mais de 40 anos no estádio, um único bar chegou a vender até 2.700 pratos em dia de jogo.
Com a reforma do Mineirão para o Mundial de 2014, porém, o futuro do tropeiro está ameaçado. Ninguém sabe dizer se o prato continuará a ser servido durante ou após a reforma do estádio.

O certo é que os bares, da forma como existem hoje, vão acabar. O projeto do Mineirão prevê uma moderna praça de alimentação, o que é ótimo. O medo dos permissionários – e de todo torcedor mineiro –, porém, é que grandes redes de alimentação e fast food tomem conta do lugar, acabando com a tradição do tropeiro.

Ontem, fui conversar com a Eliane Assis, permissionária do Bar 13 – um dos mais famosos do Mineirão. Enquanto saboreava o delicioso tropeiro preparado pela dona Vina, sua mãe, Eliane me contava sobre a história do bar, que está sob administração da família dela há 33 anos. “Ficamos apenas um ano fora da licitação, em 2005. Quando perdemos o bar, achei que fosse morrer de fome”, contou.

Tal situação a levou a abrir um agradável restaurante no bairro Planalto, zona Norte de Belo Horizonte, chamado “Tropeiro do 13”. No ano seguinte, após comprovações de fraudes na licitação anterior, ela estava de volta ao Mineirão.

Agora, Eliane e todos os outros se sentem novamente ameaçados pela reforma: “Não temos informação alguma sobre as licitações. Nosso contrato é precário e acaba em maio. Ninguém fala nada sobre o futuro dos bares”, comentou a empresária.

E não falam mesmo. Liguei na Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais (Ademg) para tentar alguma informação, mas os funcionários de lá estão tão sem informação quanto os donos dos bares. Para se ter uma ideia, nem a própria Ademg sabe se vai continuar administrando o estádio após a reforma.

A Ademg também não sabe ainda se abrirá licitações para o estádio Independência, em Belo Horizonte, e a Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG). Então, se você ainda não provou o tropeiro do Mineirão, acho melhor correr. Ou vale arriscar na receita abaixo cedida pela dona Vina, uma das cozinheiras mais antigas do Mineirão:

Tropeiro do 13(serve 10 pessoas)

Ingredientes:1 kg de feijão carioquinha
1 kg de arroz branco
500 g de linguiça
500 g de bacon
500 g de farinha de mandioca torrada
1,5 kg de torresmo
3 cebolas grandes
2 kg de lombo
2 maços de couve
1 kg de tomates maduros
1 dz de ovos
Alho a gosto
Cebolinha a gosto

Modo de preparo:
1. Um dia antes, frite o torresmo e guarde no congelador. Reserve a gordura. Tempere o bife de lombo com sal, pimenta-do-reino, vinagre, louro e pimenta malagueta. Deixe dormir no tempero.
2. No dia seguinte, cozinhe o feijão normalmente na panela de pressão. Ele deve ficar bem cozido, mas consistente, para não desmanchar.
3. Pique a couve bem fininha para ser servida como salada (sem refogar), com sal e azeite.
4. Torre e cozinhe o arroz em uma panela separada.
5. Em outra vasilha, frite o bacon na gordura de porco. Depois acrescente a linguiça, o alho picado e o sal. Em seguida, despeje o feijão sem o caldo, mexendo com muito cuidado.
6. Apague o fogo, ponha farinha na panela e mexa um pouco. Acrescente a cebola e a cebolinha.
7. Frite novamente o torresmo na gordura reservada, tirando direto do congelador e colocando na gordura bem quente.
8. O molho é feito com tomate refogado no alho e sal.
9. Adicione um ovo estrelado.

Publicado em 06/04/2010, no Portal Terra - - De olho em 2014 - Blog Belo Horizonte no Mundial 
 
Foto: Dona Vina e o tropeiro do Bar 13: "lanchinho" dos torcedores há 33 anos no Mineirão
Crédito: Eulene Hemétrio

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